
A noite já ia longa, num quase amanhecer a cidade dormia tranquila, na rua passa um táxi apressado como só eles o sabem, os carros estacionados roubam passeios, os tímpanos dão sinal, para trás ficou o espaço repleto, era noite de festa, rostos conhecidos, outros anónimos, onde todos dançavam, bebiam, e brindavam a novos amores. Muitos rostos femininos, alguns masculinos, uns que convivem por conhecimento local, outros que chegam de fora, com curiosidade, rostos despertos pela curiosidade por alguém mais velho e indefinido, querem ver melhor, não acreditam!
Ela, parada, junto ao bar, tinha observado a multidão ondulante , escutado a música, observava os casais abraçados, quanta sede de estarem juntas em público, tal a carga de contenção que ainda que a música agite, não interessa, o que interessa é que estão ali, num sitio que lhes pertence e podem ousar trocar carinhos num entrelaçar de corpos. Viu olhares incendiadores, sentiu paixões que desaguavam, qualquer que fosse o canto para que o seu olhar se dirigisse havia rostos felizes de quem se liberta do jogo das proibições, sentiu que se ali se davam mas que lá fora estava uma outra vida.