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quarta-feira, maio 27

Amantes

O Amante, de Jean-Jacques Annaud (1992)


A pele é duma sumptuosa suavidade. O corpo. O corpo é frágil, sem força, sem músculos, poderia ter estado doente, estar em convalescença, é imberbe, sem outra virilidade que a do sexo, é muito fraco, parece à mercê de um insulto, débil. Ela não o olha no rosto. Não o olha. Toca-o. Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a pele dourada, a desconhecida novidade. Ele geme, chora. Está num estado de amor abominável.
E a chorar, fá-lo. Primeiro há a dor. E depois esta dor é por sua vez possuída, transformada, lentamente arrancada, levada até ao gozo, abraçada a ela. O mar, sem forma, simplesmente incomparável.

O Amante, Marguerite Duras

5 comentários:

Cris (Mahinder Kaur) disse...

Lindo!

Boo disse...

Gostei muito desse livro e do filme!! :)

quem não leu/viu que se mexa, que até parece mal...LOL

Beijos

Scorpio Angel disse...

Adoro esse livro... :)

A.S. disse...

Ah! Belissimo fragmento de texto que partilhas connosco de uma grande autora e uma grande obra!!!


Beijos... e bom fim de semana!

Lilith disse...

Delicioso.