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terça-feira, junho 29

Final de tarde

foto de franxx

Nas janelas dos prédios que nos rodeiam vão-se acendendo as luzes, o laranja que resta do calor do dia pinta, ao fundo, o horizonte, solta-se uma voz doce, ela conduz, no banco de trás a nossa bicicleta, agora em descanso parece que escuta, a meu lado o seu braço nu pede o contacto do meu, sinto-lhe a pele, fresca, apetecível, toco outra vez, prolongo o toque como que embriagada, com a ponta dos dedos traço linhas no seu braço, sinto-lhe o arrepio e continuo a viagem.

domingo, junho 27

Momentos


Roma, Junho 2010


Sob o sol intenso da tarde, o abrigo da água que refresca, o olhar feliz de duas almas que se sentem, se escutam e ansiosas se comprometem!

quinta-feira, junho 17

Parabéns, G



"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo..."

Alberto Caeiro

sábado, junho 12

Nada nos é devolvido

Drawings by Bouget

"Continuo a ouvir a canção: como uma história que me contaram muitas vezes, agradeço cada pormenor, cada rompimento, cada armadilha que a música me arma, distingo as vozes simultâneas do trompete e do piano, quase as guio, porque a cada instante sei o que a seguir vai tocar, como se eu próprio fosse inventando a canção e a história à medida que a oiço, lenta e oblíqua, como uma conversa espiada atrás de uma porta, como a memória daquele último inverno que passei em San Sebastian. É verdade, há cidades e rostos que só conhecemos para depois os perdermos, nada nos é devolvido nunca, nem o que tivémos nem o que merecíamos."

O Inverno em Lisboa, Antonio Munoz Molina

segunda-feira, junho 7

Entardecer



"No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa..." (Fernando Pessoa)

que me traz de volta as rotas de outrora, o adeus ao cais, à terra e ao rio, janela rasgada duma cidade que não é minha.