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sábado, maio 23

Maria


A noite já ia longa, num quase amanhecer a cidade dormia tranquila, na rua passa um táxi apressado como só eles o sabem, os carros estacionados roubam passeios, os tímpanos dão sinal, para trás ficou o espaço repleto, era noite de festa, rostos conhecidos, outros anónimos, onde todos dançavam, bebiam, e brindavam a novos amores. Muitos rostos femininos, alguns masculinos, uns que convivem por conhecimento local, outros que chegam de fora, com curiosidade, rostos despertos pela curiosidade por alguém mais velho e indefinido, querem ver melhor, não acreditam!
Ela, parada, junto ao bar, tinha observado a multidão ondulante , escutado a música, observava os casais abraçados, quanta sede de estarem juntas em público, tal a carga de contenção que ainda que a música agite, não interessa, o que interessa é que estão ali, num sitio que lhes pertence e podem ousar trocar carinhos num entrelaçar de corpos. Viu olhares incendiadores, sentiu paixões que desaguavam, qualquer que fosse o canto para que o seu olhar se dirigisse havia rostos felizes de quem se liberta do jogo das proibições, sentiu que se ali se davam mas que lá fora estava uma outra vida.

10 comentários:

fiel.jardineira disse...

De facto estes espaços permitem-nos, não a liberdade do toque que acho que é universal, mas indiferença dos outros perante nós...Penso que tod@s temos a obrigaçao de nos tornarmos visiveis e contribuir para essa indiferença universal...
Bjs

Dantins disse...

É bom termos um espaço onde sentimos que somos apenas mais uma no meio de tantas.

Sobretudo é um espaço para pessoas de mente "aberta". Já levei vári@s amig@s a esta casa, que nada teriam a ver com o tipo de público, que ficaram completamente fans.

Um espaço sem preconceitos!

Bjos

g disse...

fiel Concordo perfeitamente que a visibilidade ajudava muito.

Dantins Vai havendo outros, e ainda bem que assim é, mas quanto a mim, e foi isso que eu quis sublinhar foi e é um espaço que faz toda a diferença.

tulipa disse...

É bom as pessoas poderem-se libertar nem que seja às vezes...mas é bom poder tocar na pessoa que gostamos em público sem medos...
um abraço
tulipa

via disse...

haja festa! onde há festa há ousadia!

M disse...

A primeira vez que fui ao Maria ainda não tinha saído bem do armário (não que agora tenha saído totalmente mas estou muito melhor) e senti que lá era "livre" de fazer tudo o que me apetece fosse com que miúda fosse, porque não tinha os constantes olhares reprovadores oriundos de todas as direcções.

A.S. disse...

A noite fascina... atrai irresistivelmente! A sensualidade e o desejo são cumplices da noite, acendem os seus caminhos...


Beijos..

g disse...

Túlipa E qunato maior a contenção mais se valoriza o gesto.

via Festa é festa!

M É esse facto que eu quis realçar.

Obrigada pela visita.

A.S. A noite é mistério, outras vezes paixão.

maripoza disse...

E eu era uma dessas pessoas :)

Beijos

g disse...

Mari Quem sabe já nos cruzamos por lá!

Bjs