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quinta-feira, agosto 31

40º à sombra


No fundo da avenida
bebendo um capilé
quarenta graus à sombra
nas mesas do café
e aquela rapariga
eu já não sei o que dizer
o que fazer

mediterrâneo agosto
é pleno verão
o sol a pino
e eu faço uma revolução

parte um navio
desce a maré
vejo o céu vermelho
tomara que estivesse a arder
e aquela rapariga
eu já não sei o que dizer
o que fazer

mediterrâneo agosto
é pleno verão
o sol a pino
e eu faço uma revolução

eu só te quero a ti
eu só te quero para mim
agosto aqui para mim
só ter um fim
é ter-te a ti
só para mim
agosto aqui
só para mim

Radar Kahdafi, in «Prima Donna» (1987)

quarta-feira, agosto 30

Banhos de luar





Sob a luz prata da lua
buscamos o mar

ele lá estava
com as suas ondas sem parar...
senti o primeiro calafrio
a água azul, agora escura decorada de luar
sem medo avancei...
quis mergulhar,
o meu corpo resfrescar
contigo a meu lado
o meu corpo nu
o teu quis encontrar
na magia da noite
um brilho de luar!

segunda-feira, agosto 21

Formas

Há sempre uma madrugada
em que os candelabros de ouro enaltecem
as tuas formas,
a tua alquimia de pecado e volúpia,
há sempre,
no teu sorriso breve,
uma brisa que regressa do mar,
trazendo o lamento dos náufragos,
a sua sede irremediável.
Nestas horas de assassinada alegria
ergues os braços e uma súplica,
mas ninguém te ouve, ninguém te vê,
encerrada numa túnica de cores puras.

Anjos Caídos
José Agostinho Baptista

sexta-feira, agosto 11

Lago Como

Há quem diga que o Lago Como é o lugar mais bonito do mundo pela imensidão das águas azuis esverdeadas ...

pelos tons do final do dia ...

pelas villas italianas...

pelos Alpes, por ser em Itália, mas de fronteira com a Suiça...

pelos palacetes do séc XIX decorados de estátuas clássicas... pelas pérgolas de azáleas e camélias, pelos jardins à beira lago...


quarta-feira, agosto 9

Dedos de luar

em noites de lua cheia
vem de mansinho, enorme, linda, cintilante
invade os sentidos
e com dedos de luar em seda pura
percorre o teu corpo numa espiral de prazer ...

terça-feira, agosto 8

A branco e preto


Lado a lado ...
não de costas mas de frente ...
amor no feminino ...
amor no escuro ...
ainda que o amor seja branco e puro !

segunda-feira, agosto 7

Wladival



Descobrimos esta casa, perto do nosso refúgio de campo, nas nossas últimas férias, e apesar de a termos utilizado apenas como esplanada, queremos deixar aqui uma dica para quem queira descansar, passear ou namorar. Aproveitem a hospitalidade, a simpatia e o acolhimento dos donos - o Vladimir e o Valdemar - numa paisagem repousante numa paz difícil de descrever, nesta aldeia dos Templários.

domingo, agosto 6

Hiroshima - 6 Agosto 1945

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
Vinicius de Moraes


sexta-feira, agosto 4

Hans Christian Andersen


Uma Rosa da Campa de Homero

Em todas as canções do Oriente soa o amor do rouxinol pela rosa. Nas noites calmas, claras de estrelas, o cantor alado faz uma serenata à sua odorosa flor.
Não longe de Esmirna, sob os altos plátanos, para onde o mercador puxa os camelos carregados que levantam orgulhosamente os pescoços altos e pisam desajeitados a terra, que é santa, vi um roseiral florido. Pombas bravas voavam entre os ramos altos das árvores e as suas asas cintilavam, quando um raio de sol tombava sobre elas, como se fossem de madrepérola.
No roseiral havia uma flor entre todas a mais bonita e era para esta que cantava o rouxinol as suas mágoas de amor. Mas a rosa estava silente, nem uma gota de orvalho havia, como lágrima de compaixão, nas suas pétalas. Curvava-se com o caule para baixo sobre umas pedras.
- Jaz aqui o maior cantor da terra! - disse a rosa. - Quero perfumar a sua campa. Sobre ela quero derramar as minhas pétalas, quando a tempestade as arrancar. O cantor da Ilíada tornou-se terra nesta terra, donde broto... Eu, uma rosa da campa de Homero, sou demasiado sagrada para florir para o pobre rouxinol!
E o rouxinol cantou até morrer.
O condutor de camelos chegou, com os seus camelos carregados e os seus escravos negros. O filhinho dele encontrou o pássaro morto. Enterrou-o na campa do grande Homero. E a rosa agitou-se ao vento. Veio a noite, a rosa fechou completamente as pétalas e sonhou... que era um belo dia de sol. Chegava uma multidão de estrangeiros, de francos. Faziam uma viagem de peregrinação, à campa de Homero. Entre os estrangeiros havia um cantor do Norte, da terra das neblinas e das auroras boreais. Arrancou a rosa, premiu-a num livro e levou-a consigo para outra parte do mundo, para a sua pátria distante. E a rosa murchou de pena e ficou no livro fechado, que ele abriu em casa, dizendo:
- Eis uma rosa da campa de Homero!
Ora vejam, isto sonhou a flor que acordou e estremeceu ao vento. Uma gota de orvalho caiu das suas pétalas na campa do cantor e o sol ergueu-se, o dia tornou-se quente e a rosa resplandeceu ainda mais bela do que antes - estava na sua Ásia quente. Ouviram-se então passos, vieram estrangeiros, francos, que a rosa vira no seu sonho e entre os estrangeiros havia um poeta do Norte. Este arrancou a rosa, premiu um beijo na sua boca fresca e levou-a consigo para a terra de neblinas e auroras boreais.
Como uma múmia repousa agora o cadáver da flor na sua Ilíada e como em sonho ouve ela abrir o livro a dizer: "Eis uma rosa da campa de Homero!".

Hans Christian Andersen
2 Abr 1805 - 4 Ago 1875

quarta-feira, agosto 2

Obras-primas da Colecção Rau

A não perder até 17 de Setembro, no Museu de Arte Antiga, em Lisboa, a exposição de 95 pinturas da Colecção Rau - metade das quais de mestres como Canaletto, Van Goyen, Ribera, Fragonard e Cranach, entre outros.
"San Marco " de Canaletto

Os restantes quadros pertencem aos movimentos artísticos dos séc. XIX e XX : impressionismo, fauvismo e expressionismo com as expressões máximas de Corot, Monet, Cézanne, Degas e Deran.
"Mer à L' Estaque" - Paul Cézanne

Verão de Picasso

"Guernica" de Pablo Picasso
Este ano é o Verão de Picasso em Espanha, e algo acontece em Madrid. Passam 25 anos desde que a Guernica regressou a Espanha e comemoram-se os 125 anos do pintor. Oportunidade única, para se ver no Museu do Prado e no Museu Rainha Sofia, mais de 100 obras na mostra "Picasso, Tradição e Vanguarda". Para quem gosta de arte e quiser aproveitar as férias ou a "ponte" de 15 de Agosto.

terça-feira, agosto 1

De regresso

e habituadas as outras horas do galo, vejam o isto deu...



Banda sonora : (You're The) Devil In Disguise" com o rei Elvis