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domingo, maio 31

O Início da Caminhada



Em sala composta, com alguma gente conhecida e muitas mais caras anónimas, fez-se hoje, pelas 16h no Cinema S Jorge, em Lisboa, a apresentação pública deste movimento.
Sónia Duarte Lopes da Associação para o Planeamento da Família, apresentou os intervenientes desta sessão. A actriz Fernanda Lapa leu o manifesto fundador do MPI.

Seguiu-se a constitucionalista Isabel Mayer Moreira com um discurso irrepreensível.
Depois, a actriz e escritora Ana Zanatti que "pela legitimidade do amor" afirmou "ter esperança no despertar das consciências menos iluminadas" e assumiu-se como parte da minoria: “Estou a reclamar os meus direitos como cidadã que quer ou não casar”, considerando que não aceita “perder direitos por ser minoria”.
Por sua vez o psiquiatra Daniel Sampaio, afirmou que "casar é esperança que se quer partilhar"
Por fim, interveio o empresário e comentador Pedro Marques Lopes. Todos defenderam a legalização no Código Civil dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.


ASSINA A PETIÇÃO AQUI

quarta-feira, maio 27

Amantes

O Amante, de Jean-Jacques Annaud (1992)


A pele é duma sumptuosa suavidade. O corpo. O corpo é frágil, sem força, sem músculos, poderia ter estado doente, estar em convalescença, é imberbe, sem outra virilidade que a do sexo, é muito fraco, parece à mercê de um insulto, débil. Ela não o olha no rosto. Não o olha. Toca-o. Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a pele dourada, a desconhecida novidade. Ele geme, chora. Está num estado de amor abominável.
E a chorar, fá-lo. Primeiro há a dor. E depois esta dor é por sua vez possuída, transformada, lentamente arrancada, levada até ao gozo, abraçada a ela. O mar, sem forma, simplesmente incomparável.

O Amante, Marguerite Duras

Em choque...


segunda-feira, maio 25

Depois de ter você





Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?

Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como esta?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você...

sábado, maio 23

Maria


A noite já ia longa, num quase amanhecer a cidade dormia tranquila, na rua passa um táxi apressado como só eles o sabem, os carros estacionados roubam passeios, os tímpanos dão sinal, para trás ficou o espaço repleto, era noite de festa, rostos conhecidos, outros anónimos, onde todos dançavam, bebiam, e brindavam a novos amores. Muitos rostos femininos, alguns masculinos, uns que convivem por conhecimento local, outros que chegam de fora, com curiosidade, rostos despertos pela curiosidade por alguém mais velho e indefinido, querem ver melhor, não acreditam!
Ela, parada, junto ao bar, tinha observado a multidão ondulante , escutado a música, observava os casais abraçados, quanta sede de estarem juntas em público, tal a carga de contenção que ainda que a música agite, não interessa, o que interessa é que estão ali, num sitio que lhes pertence e podem ousar trocar carinhos num entrelaçar de corpos. Viu olhares incendiadores, sentiu paixões que desaguavam, qualquer que fosse o canto para que o seu olhar se dirigisse havia rostos felizes de quem se liberta do jogo das proibições, sentiu que se ali se davam mas que lá fora estava uma outra vida.

sexta-feira, maio 22

Subprime


Tertúlias SI


1º Encontro de Fãs de Simone

23 Maio de 2009 - 18h
Antiga Fábrica do Braço de Prata
Sala Visconti
(Lisboa)

Programa
  • Música ao vivo: piano, com Carlos Pereira
  • Atelier de pintura, com Mariana Ricardo
  • Exposição
  • Serviço de bar
  • Actividades
Convites AQUI

terça-feira, maio 19

Momento musical



If I don't believe in love nothing is good for me

Elas adoram


A Orquídea e a Boo ... dizem que adoram o nosso canto.

Obrigada!

As regras são:
1 – Colocá-lo no seu blog
2 – Indicar 5 blogues que adore
3 – Informar aos blogs indicados que receberam o selo
4 – Dizer 5 coisas que adorem na vossa vida

Ora, 5 coisas que adoramos :

- O P.
- O campo e o mar
- Namorar
- Viajar
- Pastéis de Belém (Looollll)

Oferecemos este selo a todos do nosso Blogroll.

segunda-feira, maio 18

Eu


foto de Patti Levey


Eu, ante o torpor da luz da manhã, que fere.
Eu, separando um mundo do outro.
Eu, escorregando no incompleto das pessoas, em atritos e defesas, traçando rotas de colisão.
Eu, caminhando cheia de pressa na incongruência dos dias.
Eu, no pretérito imperfeito dos sentidos e do desejo.
Eu, passando, encurralada entre muros de preconceitos.
Eu, nas profundezas do azul entre flores e lágrimas de desistência.
Eu, conjurando o futuro, conjugando a sobrevivência.
Eu, um grão no Universo.

sexta-feira, maio 15

quarta-feira, maio 13

segunda-feira, maio 11

Baú



Folheei o passado, nas páginas dos livros que amarelecem na minha estante, como se me folheasse, e um a um, fui vendo todos os que comigo envelhecem, alguns já com fita-cola, outros descolados porque a cola não resistiu aos anos, quase todos com marcadores que falam, papéis esquecidos, flores secas que espalham o pó das pétalas que se desfazem, uma papoila e até um trevo encontrei, passei por tanta gente, por tantas palavras já esquecidas, memórias que pensava inofensivas emergiram. Quis fechá-lo, isolar o baú, quis estancar cada agressão por tão presente, mas a tampa teimou, emperrou a meio, e aqui estou eu, a querer fechar uma tampa enferrujada e ela aí está teimosamente entreaberta, falta-me a força para a ferrugem que cobre as dobradiças. O tempo passou, as pessoas poderão ou não estar presentes mas os sentimentos resistem tão reais e intensos, alteradas estão a cor e a textura das páginas dos meus livros mais antigos, mas inalterável está a memória de quem os folheia com o carinho que merecem. Não os reli porque o meu objectivo era a procura de um testemunho, de um pedaço de passado que não encontrei, mas por eles viajei, como se de um álbum de fotografias se tratasse, os rostos que não estão lá, têm forma e jeito, têm cor e som e habitam o meu baú onde descobri pérolas e jóias de que não me sabia possuidora.




sexta-feira, maio 8

Sou o Mar


Quando uma mulher não sabe o que responder
é porque não há mais água no mar.
(Provérbio grego)


Sonho com o calor, sol e mar. O corpo nu que entra na água salgada. Ela é linda. Nua. O mar banha-a, o mar em todo o seu redor. Eu sou o mar, sinto-me a viajar sobre ela. Nesta praia, nuas, sou a espuma que se espalha sobre os seus seios, acaricia o seu sexo, sou o mar. E serei fogo sobre a sua pele.

quarta-feira, maio 6

Desamor

Foto de Sraosha

Conheceram-se numa exposição. Alta, morena, vestido preto, mãos de unhas rentes, viva, atraente. Um olhar que desnuda.
Trocaram telefones. Amor e sexo vermelho ardente. Viveram juntas dez anos e tudo o resto de nada valia. E depois? Deixaram de falar! Conversar, discutir, rir, bater com a porta. Porquê? A vida! Pode-se sempre dar a volta. A quê? Ao desamor. Ficou a pensar. A estrela do Norte, mantém o brilho. Manter! Foi o que faltou! Faltou? Sim! E o que pediria agora? Voltar atrás! Voltar atrás? Sim! Onde? Pois, onde? Ao momento em que perdeu o Amor. O brilho! Não é possível! Porquê? Não, não é possível! Voltar atrás e manter o brilho aceso, não! Já se perdeu. O Amor não se perde! É fácil dizer. Pensou. Ergueu-se. O brilho, manter o brilho, manter, manter...

terça-feira, maio 5

Treino Diário

Estufa Fria

Todos os dias se diz algo no silêncio. Todos os dias se escrevem letras, que juntas, são decifradas por alguém nas entrelinhas sinuosas do que nunca se diz. Todos os dias somos apanhados na contramão dos sentidos. E do desejo. Todos os dias, devagarinho, treinamos para sermos felizes.

Terra, essa Sábia

Fraga da Pena


"E, no entanto, move-se"
Galileu

Hoje já não esfolamos os joelhos nela, a terra já não nos suja os pés, já não dançamos sobre ela, já não brincamos ao berlinde com ela. Nascemos já sábios para ensinar a salvar a Natureza. Esquecemos que é ela que nos ensina, mais do que os livros e as teorias.
Porque, afinal, ela é mais forte.
Por isso nós partimos e ela não!

segunda-feira, maio 4

Gin Tónico

Foto de Tyler Robinson


Fui contigo até ao bar, onde o piano tocava e o meu pensamento corria.
Não sei se sabia porque estávamos ali, o fumo dominava todo o ambiente, o pianista tocava indiferente às conversas que por várias mesas aconteciam, por um qualquer motivo estávamos ali, a noite estava calma, o sítio pareceu-nos agradável, difícil mesmo era pensar o que estávamos ali a fazer.
Tu e eu, duas pessoas que se encontram assim por encontrar e vão até ao bar. Nunca antes nos tínhamos visto, sem dúvida que tínhamos histórias de vida por contar, mas… por onde começar? Então que fazes? Não, não me parecia apropriado, vai parecer que vou querer saber demais. Não, pensava eu, nem me interessa por aí além. Quem és tu ? Talvez essa seja uma pergunta mais razoável. E isso interessa-me? Sem demora, peguei no gin tónico, olhei-a nos olhos e sem pensar no que dizia perguntei:
-Que estamos aqui a fazer?
-Estou contigo, não preciso muito, esta noite só busco companhia, dói-me demais a solidão!
E em silêncio, deixámos que “As Time Goes By” se soltasse das teclas até ao mais profundo de nós.

sábado, maio 2

Gran Torino




Simples, terno, eficaz, redentor. Clint Eastwood, num dos seus melhores papéis, para mim.
Tão bem retratadas as relações improváveis entre gerações tão distanciadas, entre culturas tão opostas. Uma sociedade multicultural. Um olhar sobre as relações com a família que de tão afastada nada nos diz e o outro olhar, terno, sobre aqueles que escolhemos para partilhar o que de melhor há em nós.

Quando menos se espera abrem-se portas.