Pages

quinta-feira, abril 26



Há artistas que nos acompanham pela vida fora, só podemos retribuir esse prazer que nos é proporcionado acompanhando-os sempre que possível, e já foram várias as vezes que isso aconteceu, mais uma vez fomos ao Coliseu, e regressamos felizes com um show que nos encheu a alma, desta vez ainda tivemos direito a um abraço inesquecível, foi bom revê-la, assim de tão perto, foi delicioso escutá-la, numa noite especialmente feliz em boa companhia.

quarta-feira, abril 25

Abril





Veio a chuva copiosa
na tarde que se vai.
triste o brilho que não vem,
do teu olhar a forçada ausência
em mim Abril tristonho! 

segunda-feira, março 26

Uma baleia vê os homens


 
"Sempre tão atarefados, e com longas barbatanas que agitam com frequência. E como são pouco redondos, sem a majestosidade das formas acabadas e suficientes, mas com uma pequena cabeça móvel onde parece concentrar-se toda a sua estranha vida. Chegam deslizando sobre o mar mas não nadam, quase como se fossem pássaros, e infligem a morte com fragilidade e graciosa ferocidade. Permanecem longo tempo em silêncio, mas depois entre eles gritam com fúria repentina, com um amontoado de sons que quase não varia e aos quais falta a perfeição dos nossos sons essenciais: chamamento, amor, pranto de luto." 

A mulher de Porto Pim, Antonio Tabucchi

quarta-feira, março 21

Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida



Pergunto-te onde se acha a minha vida. 
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada 
de uma verdade minha bem possuída. 

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada. 

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida 
por esperanças hereditárias? E de cada 
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa 
que envolve a posição dos olhos de quem pensa. 

Já não sei mais a diferença 
de ti, de mim, da coisa perguntada, 
do silêncio da coisa irrespondida. 

Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)'

terça-feira, fevereiro 28

O Comboio e a Estação



A vida não é mais do que uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, atrasos, esperas e muitos túneis, tantas surpresas agradáveis e outras nem tanto. Quando nascemos entramos numa qualquer estação nesse comboio e juntamo-nos aos nossos pais, depois vêm os irmãos ou não, os amigos e os amores inesquecíveis, os filhos juntam-se ou não. À medida que vai parando nas estações ora sobem ora descem pessoas: tristes, alegres, que deixam saudades eternas ou não, apressadas, calmas ou irrequietas. A viagem é cheia de sonhos, esperas, fantasias, despedidas, atropelos e jamais com retornos. Viajamos no mesmo banco com alguns e nunca repartiremos assento com outros. Alguns aquecem o assento por instantes que serão eternos, outros sentam-se e nem notamos. O comboio circula apenas numa linha, sem ramais e não faz inversão de marcha.

O grande mistério desta viagem afinal é que nunca saberemos em que estação nos apearemos,  numa estação principal ou num apeadeiro sem cais nem cancela. E quando descermos sentiremos saudades? E os que continuam a viagem sentirão saudades, mesmo aquele que está sentado ao nosso lado, aquele que sempre esteve?

segunda-feira, fevereiro 20


Vinha de longe, há muito que sonhava voltar aquele lugar, queria um momento que já havia sentido. Tinha partido por não conseguir estar, tinha procurado bem longe algo ou alguém que lhe fizesse esquecer aquele lugar, sempre sonhou com momentos que nunca sentiu, tinha partido nessa busca que cria haveria de existir nalgum lugar, queria um momento em que de tão sentido que era não conseguisse desabraçar!

terça-feira, dezembro 6

Sombras

foto de Cid4 em Devianart
"Capwa kiso kutima oko cili"
 
Não é por deixarmos de ver as coisas que deixamos de as sentir
(máxima Umbundu)