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sexta-feira, outubro 15

A VELHINHA, O BALDE, A TINTA, OS FRANGOS E UM GANSO


Não é habitual, mas hoje deixo-vos uma anedota.

Bom fim de semana!


Um fazendeiro resolveu ir a pé da cidade, de volta para sua fazenda.
No caminho, comprou um balde e um galão de tinta, dois frangos e um ganso vivo. Quando saiu, parou e ficou matutando sobre como levar as ompras para casa.

Enquanto coçava a cabeça, apareceu uma velhinha que lhe disse estar perdida e lhe perguntou:

- Pode me explicar como chegar até a Estrada das Andorinhas, 1603?

- Bem, minha fazenda fica próxima a esse local. Eu a levaria até lá, mas ainda não resolvi como carregar tudo isto.

A velhinha sugeriu:
- Coloque o galão de tinta dentro do balde, carregue o balde em uma das mãos, um frango sob cada braço e o ganso na outra mão.

- Muito obrigado, - disse o homem - é uma boa ideia.

A seguir, partiram os dois para o destino.
No caminho, ele disse:
- Vamos cortar caminho e pegar este atalho, pois economizaremos muito tempo.

A velhinha o olhou cautelosamente e disse:
- Eu sou uma viúva solitária e não tenho marido para me defender. Como saberei se quando estivermos no atalho você não avançará em cima de mim e levantará minha saia para fazer amor comigo?

- Impossível, estou carregando um balde, um galão de tinta, dois frangos e um ganso vivos. Como eu poderia fazer isso com tanta coisa nas mãos, sendo que se soltar as aves elas fugirão?

- Muito simples: coloque o ganso no chão, ponha o balde invertido sobre ele, coloque o galão sobre o balde e eu seguro os frangos...

domingo, outubro 10

Ausência

Foto de Francisco Méndez Fuentes


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."

Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.

domingo, outubro 3

Pinturas



Dia de chuva. Desde manhã que ela cai, ora com mais força, ora em pquenas gotas, pelas janelas abertas entra o vento que dobra as árvores à nossa volta. Da nogueira vão caindo, de rajada em rajada, as nozes que ainda pendiam dos ramos, enquanto que as manas tílias centenárias dão um colorido verde à paisagem teimando em não largar as folhas. Pelo ar passam folhas de outras árvores que sentiram o Outono com mais intensidade. Na horta as couves recém plantadas resistem ao sopro norte que as abana, alguns pássaros indiferentes à chuva buscam alimento, e nos beirais dos telhados que daqui se avistam escorrem as primeiras águas da estação que acabou de chegar a este campo, onde tu e eu colorimos telas e textos.