32 anos depois da independência desponta em Angola uma sociedade de luxos que vive do petróleo, dos diamantes e de outros negócios. Uma sociedade de festas, de champanhe, dos restaurantes e dos bares dos "regressados" portugueses e das lojas de marca. Para trás ficam os que não têm nada, uma população com 80% de taxa de desemprego e uma taxa de crescimento de 18%. Hoje há festa, com fogo de artifício e lantejoulas, no Palácio da Cidade Alta com vista sobre Luanda, a cidade construída para 500 mil pessoas onde (sobre)vivem 5 milhões de desalojados de guerra.
... "Hoje há festa em Luanda. Hoje, um dia qualquer. Um bebé nasceu entre o lixo, próximo de um esgoto a céu aberto, alguém atirou uma lata de «gasosa» para um chão imundo, alguém lhe deu um pontapé, alguém a recolheu para vender no mercado da sobrevivência, alguém caiu de um prédio sem varanda, sem água, sem luz, cheio de nada, cheio de gente, construído em altura, como em extensão se construíram quilómetros de barracas instáveis e insalubres, chamados musseques." ...
... "Luanda é uma festa de crianças onde poucos têm altura para chegar à caixa das bolachas."
da reportagem de Luis Pedro Cabral para o "Expresso" em Julho 2007