Pages

sábado, junho 12

Nada nos é devolvido

Drawings by Bouget

"Continuo a ouvir a canção: como uma história que me contaram muitas vezes, agradeço cada pormenor, cada rompimento, cada armadilha que a música me arma, distingo as vozes simultâneas do trompete e do piano, quase as guio, porque a cada instante sei o que a seguir vai tocar, como se eu próprio fosse inventando a canção e a história à medida que a oiço, lenta e oblíqua, como uma conversa espiada atrás de uma porta, como a memória daquele último inverno que passei em San Sebastian. É verdade, há cidades e rostos que só conhecemos para depois os perdermos, nada nos é devolvido nunca, nem o que tivémos nem o que merecíamos."

O Inverno em Lisboa, Antonio Munoz Molina

1 comentário:

via disse...

diria que não que de algum modo, mas de diferentes modos tudo nos é devolvido. deixei-lhe um desafio lá no blogue,