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quinta-feira, junho 29

Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal,
topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si,
escondida, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive obscuro em meu corpo
o apertado aroma que nasceu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei te amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és,
tão profundamente que tua mão sobre o meu peito é tua mão
tão profundamente que quando fecho os olhos contigo sonho

Pablo Neruda, Soneto XVII - Cem Sonetos de Amor

Para ti Amor ... em mais um 29.

1 comentário:

g disse...

29 foi o dia que eu escolhi para te dar o beijo que me pedias e selarmos o nosso sentir para sempre!