A pele é duma sumptuosa suavidade. O corpo. O corpo é frágil, sem força, sem músculos, poderia ter estado doente, estar em convalescença, é imberbe, sem outra virilidade que a do sexo, é muito fraco, parece à mercê de um insulto, débil. Ela não o olha no rosto. Não o olha. Toca-o. Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a pele dourada, a desconhecida novidade. Ele geme, chora. Está num estado de amor abominável.
E a chorar, fá-lo. Primeiro há a dor. E depois esta dor é por sua vez possuída, transformada, lentamente arrancada, levada até ao gozo, abraçada a ela. O mar, sem forma, simplesmente incomparável.
O Amante, Marguerite Duras
E a chorar, fá-lo. Primeiro há a dor. E depois esta dor é por sua vez possuída, transformada, lentamente arrancada, levada até ao gozo, abraçada a ela. O mar, sem forma, simplesmente incomparável.
O Amante, Marguerite Duras

5 comentários:
Lindo!
Gostei muito desse livro e do filme!! :)
quem não leu/viu que se mexa, que até parece mal...LOL
Beijos
Adoro esse livro... :)
Ah! Belissimo fragmento de texto que partilhas connosco de uma grande autora e uma grande obra!!!
Beijos... e bom fim de semana!
Delicioso.
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