Era um cântico de tristeza pelo dia que nascia embrulhado em nevoeiro, pelo sol que tinham deixado para trás, pelo mar sem regresso que adivinhavam sem nunca o verem, pela noite que acabara, sepultando nela todos os sonhos. Mas não, não era um cântico: antes um lamento cantado. Um lamento por um mundo perdido e sobrevivendo apenas na memória de outros dias felizes. Choravam pela sua outra África, das planícies a perder de vista, do capim seco ao sol, dos animais correndo livremente, do mato onde o leão espreita a zebra e o leopardo persegue silenciosamente o antílope, dos rios atravessados em frágeis canoas por entre jacarés e hipopótamos adormecidos, das noites na savana, ouvindo os gritos da selva e aquecendo o medo num fogo acesso entre pedras.Uma África para o horizonte sem fim...
Equador, Miguel Sousa Tavares
6 comentários:
havemos de lá ir um dia,amor!
África. Um arrepio.
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g, o prometido é devido... já dizia a canção!
bandida, um continente à espera do reencontro.
Desde que tragam fotos, podem ir!... :)
Eu bem me queria parecer que já tinha lido isto. Belo livro. Bjinhes kidas
sotavento,traz a máquina e bora lá.
silver, acabei de o ler há pouco tempo e também gostei. bjs.
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