Pages

sexta-feira, abril 24

Margens

foto de João Tomé

Atravesso a ponte, a outra margem parece-me cada vez mais longe, o caminho que faço é agora outro, o rio está calmo, a ponte de aço fica mais abaixo, abraça a cidade pela cintura, essa viu-me crescer, esta amarra-se em terrenos outrora baldios que o betão invadiu numa massificação duvidosa. O verde parece-me pouco. Perscruto o rio quero palavras de água, respostas que as cinzas do tempo teimam em não dar. Afasto-me para outro lugar que já foi meu, duas margens da mesma vida, unidas pelo cordão umbilical que cada vez me parece mais frágil. Regresso, neste calmo entardecer à margem que me acolhe sem ser minha, olho o rio, está agitado, e sossego.

4 comentários:

g disse...

Qualquer que seja a margem, qualquer que seja a ponte, a certeza de que em mim vai estar o teu sossego.

as velas ardem ate ao fim disse...

Feliz dia da Liberdade!

via disse...

há sempre rios que temos de atravessar e margens a acolher-nos.bonito.

kris disse...

desde que atravesses a ponte e encontres bom porto...atravessa o rio..

beijo e boa noite